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Idealizou-se assim um mutirão multidisciplinar no Bairro Nova Esperança, esse mutirão contaria com o acesso dessa população a direitos que no dia a dia essa comunidade não possui. Nosso projeto de intervenção é iniciar um processo de conscientização dos moradores do bairro, como por exemplo, acesso a médicos, fisioterapeutas e enfermeiros fazendo testes rápidos, como glicemia, pressão arterial, exame de vista, HIV, sífilis, hepatite B e C, bem como orientações à promoção de saúde para que patologias que estão intimamente ligadas com a falta de saneamento básico não sejam endêmicas na região.  

Voluntários, juntamente com moradores fazerem uma limpeza em toda a área, e com os materiais recolhidos (como, por exemplo, garrafas plásticas, latinhas de alumínio, pneus, buchas de limpeza, óleo de cozinha, descartes eletrônicos, dentre outros produtos) orientar em sua reciclagem, assim como oficinas de artesanato com modelos de reutilização desses subprodutos, podendo assim, gerar renda a comunidade com os artefatos produzidos.  

Outra ideia seria levar cursos práticos de literatura (escrita, leitura), teatro, música, pintura, costura, jardinagem, curso de estética e informática. Todos com certificados para que possam gerar também rendimentos financeiros aos moradores.  

Já na área educacional ensinar passo a passo o acesso a processos educacionais como alfabetização, ensino regular e EJA (Educação de Jovens e Adultos) e palestras para salientar a sua importância no futuro de crianças e adolescentes, tais quais os direitos de subsequência na instituição.  

Outra questão é, em conjunto com a prefeitura, revitalizar o campinho que o bairro possui, e a partir do comprometimento dos governantes colocarem patrulha policial frequente no local, a fim de evitar presença indesejada de usuários de drogas, podendo assim retirar jovens da rua dando a prática de esportes, a saída de que precisam.  

Na área jurídica os próprios estudantes da universidade fariam palestras sobre direitos e deveres para auxiliar na criação de uma associação para que os próprios moradores se organizem e busquem seus direitos.  

Quando a proposta foi pensada, o objetivo também seria em não realizar um projeto paliativo, mas sim um projeto que mostre a população quais são os direitos reservados a eles, como a qualquer outro cidadão brasileiro e que assim possam lutar por um futuro melhor e mais justo, não somente frente ao poder público, mas em conjunto, como uma real comunidade dotada de organização e união.   

  

  

  

Referências: 

  

LAZZARETTI, Luciana. Saneamento Básico e sua influência sobre a saúde da população. 2012. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/67761/000868853.pdf>. Acesso em: 04 jun. 2017.  

http://www.jornalbahiaonline.com.br/noticia/34099/parceria_fara_avancar_projeto_de_requalificacao_ambiental/2  

 

JACOBI, Pedro Roberto. Gestão compartilhada dos resíduos sólidos no Brasil: inovação com inclusão social. São Paulo: Annablume, 2006. 163 p. 

20

Visita ao Bairro Nova Esperança - Itabuna/Bahia

Maio
Grupo 1

GOVERNO FEDERAL  

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO  

UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL DA BAHIA  

CAMPUS JORGE AMADO  

CC - Universidade e Contexto Planetário - 2017.1 

Empoderamento de indivíduos pela mudança socioambiental

 

Equipe: Bárbara Rodrigues, Keitth Carollaine,  Matheus Góes, Ramon Vieira e Victória Ribeiro.  

Até que ponto o convívio da sociedade com o meio ambiente é saudável e benéfico a ambos? É possível viver sem medidas fundamentais para se ter uma área sadia e habitável? Estes são alguns questionamentos levantados na maioria das comunidades, principalmente em países em desenvolvimento.  O bairro Nova Esperança (como observado na Figura 1 e na Figura 2 subsequente) compreendido na cidade de Itabuna, Bahia, não é diferente. A partir disto, resolveu-se fazer uma pesquisa de campo na região para analisar elementos fundamentais na vida das pessoas e para procurar entender como essas pessoas são impactadas devido ao descaso público e como elas impactam um meio ambiente não propício para habitação humana da forma como está sendo feita. Posteriormente, será proposto um projeto de intervenção que eleve a qualidade de vida dos cidadãos desse bairro e o consequente melhoramento de seu ecossistema. 

 

Figura 1 – Rua Travessa Santa Rita, Bairro Nova Esperança – Itabuna/BA 

A visita feita a comunidade foi realizada em um sábado pela manhã no dia 20 de maio de 2017, a recepção foi boa e no decorrer de um questionário aplicado foi-se construindo uma relação de confiança em que os moradores puderam contar alguns, dos muitos de seus problemas no dia a dia. Muitos desses problemas foram percebidos pelas equipes que aplicaram o questionário e também pelos relatos feitos por moradores, como falta de saneamento básico, desestruturação urbana – asfalto, mobilidade pública -, bem como ausência de médicos ou mesmo de um local fixo para um posto de saúde.  

 

 

Figura 2 - Rua Travessa Santa Rita, Bairro Nova Esperança – Itabuna/BA 

editar seu próprio texto. É fácil.

O questionário aplicado era formado por cinco partes, nos quais se integrava diversos fatores da vida cotidiana na comunidade. A falta de saneamento básico foi um dos fatores que mais chamou a atenção e acredita-se ser o maior dos problemas na região, apesar de não ser a questão que obteve maior relevância dentre os destacados pelos moradores. Porém ao observar o impacto que a falta desse direito civil gera tanto nas pessoas que vivem no local como no meio ambiente decidiu-se tomá-lo como prioritário. O esgoto de 71 famílias que participaram do questionário, como observado na Figura 3, são jogados nas ruas ou muitas vezes diretamente no rio Jacarezinho, afluente do rio Cachoeira que passa por vários bairros de Itabuna. Ou seja, o número de famílias que não possuem rede de esgoto e seu possível tratamento, é ainda maior.    

 

Figura 3. Coleta de esgoto. 

O esgoto a céu aberto além de ser crime ambiental (Lei Federal 9605/98), é prejudicial à saúde, podendo causar diversas patologias como: dengue, leptospirose, hepatite, amebíase dentre outras (LAZZARETTI, 2012). Outro problema causado pelo esgoto é a contaminação do lençol freático, bem como a contaminação do Rio Jacarezinho. Segundo Dulce Marinho, técnica social,  em uma entrevista ao Jornal Bahia Online, explica: “Ele (Jacarezinho) faz parte da Bacia do Cachoeira, nasce em Barro Preto, chega em Itabuna passando pela Roça do Povo, onde ele ainda se encontra em uma situação aceitável, mas quando chega no bairro Nova Esperança e circunvizinhos ele começa a receber dejetos de forma muito agressiva."  

  

Outro problema encontrado na região é o abastecimento de água, apesar da Figura 4 nos dizer ao contrário, foi constatado através de conversas com moradores que a maioria de seus habitantes não pagam água, e sim que fazem desvio de um presídio muito próximo da comunidade, com isso tirou-se por conclusão que os números de ligações clandestinas possam ser muito maiores.  

 

Figura 4. Abastecimento de água. 

Apesar de o abastecimento de água potável também ser um direito básico do cidadão, a escassez de água foi uma das questões levantadas por moradores, muitos deles não possuíam nem a ligação clandestina, vivendo da água que o governo disponibiliza em tanques (informação utilizada como base os relatos de moradores, pois não foi possível observar o tanque), ou até mesmo água somente da chuva. Como pode ser notada na Figura 5, a utilização de água da chuva é predominante, o que pode ser um indicador da falta de abastecimento da água na comunidade. 

Figura 5. Reaproveitamento de água de chuva ou águas servidas (tanques, máquinas de lavar roupas, pias de cozinha e lavagem de automóveis). 

Já o manejo de resíduos sólidos, dentre as medidas de saneamento básico, talvez seja o menor dos problemas dos moradores de Nova Esperança, como é possível ver na Figura 6 subsequente. A maioria informou que o caminhão de lixo passa na rodovia, ou seja, possuem coleta pública. Esta coleta evita diversos problemas, como a contaminação dos solos, o aumento de enchentes e a consequente contaminação da água, evita a queima dos resíduos e a eliminação de gases tóxicos na atmosfera (JACOBI, 2006).    

 

Figura 6. Coleta de Lixo 

Ainda que não seja o ideal, pois a coleta deveria passar em todas as ruas do bairro, não é possível que o caminhão chegue nestas vias, e é esta a questão que se leva a outro problema que incomoda bastante os moradores, a falta de pavimentação nas ruas e calçadas. Dentre as 122 moradias que foram aplicadas os questionários, 116 não possuíam pavimentação na rua em frente a sua casa e 110 moradias não possuíam calçamento na porta do domicílio. Esse fato é ruim tanto para a saúde, principalmente de crianças que passam a sofrer com asma e bronquite como relatado pelos moradores, como também para manutenção de higiene das casas.  

 

Outro problema destacado com certa frequência é o ônibus municipal, devido à baixa frota disponível para região possuem superlotação diária, e apesar de mais da metade da população utilizar deste serviço (Figura 7), suas queixas não são ouvidas muito menos atendidas.    

Figura 7. Modo de deslocamento mais comum dos moradores no domicílio 

o. Clique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

A maioria dos problemas de saneamento básico causa dificuldade na manutenção da saúde, porém para sanar estas e outras tantas patologias que a espécie humana está suscetível é necessário uma unidade de atendimento especializado, integrativo e multidisciplinar voltado à saúde, mas a unidade destinada a atender esses cidadãos seria um posto de saúde, que naquele dado momento, possuía apenas um enfermeiro. A saúde foi o quesito de maior reclamação da população entrevistada.     

  

Em vista a todos os problemas analisados acima foi perguntado o porquê de todos eles ainda serem vigentes mesmo em um bairro que possui moradores residentes ali a mais de 40 anos, as respostas foram unânimes: má gestão pública e corrupção. O descaso com a população menos favorecidas, - dado que, cerca de 60% (Figura 8), recebe algum tipo de recurso financeiro como Programa Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, dentre outros -, e também o sentimento de abandono que essas pessoas sentem são bastante preocupantes.  

Figura 8. Programas de transferência de renda   

A exploração, de certa forma predatória, que essas pessoas exercem no ambiente em que vivem é diretamente proporcional ao descaso que sofrem por parte dos governantes, pensando nisso e principalmente a partir do número baixíssimo de participação social (Figura 9) criamos um projeto de intervenção voltado ao empoderamento destes cidadãos. Acreditamos que a partir do momento que várias vozes se organizam, elas são ouvidas e ganham força e visibilidade.  

 

Figura 9. Participação social  

Universidade Federal do Sul da Bahia

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